Arquivo | agosto, 2012

“Ginástica em gotas” na capa da Veja

19 ago

Sobre a capa da Veja desta semana o médico Leonardo Graever informa que enviou a mensagem abaixo a revista. De fato ginástica em gotas não existe e é uma metáfora que não ajuda os obesosImage. Hormônios fornecidos como medicamentos para emagrecer têm mais riscos que benefícios até o momento e não é recomendado.  Nada substitui alimentação saudável e atividade física.

“Queridos Editores,
Foi com profunda tristeza e revolta que li hoje a capa da nova edição da revista, fazendo alusão a um hormônio, chamado Irisina. Sou médico, não conheço o tal hormônio e de maneira nenhuma questiono o teor científico da reportagem. No entanto, sem ao menos abrir a revista, percebo o desserviço à população, estampado na capa.
Nesta, ressalta-se a propriedade do hormônio em auxiliar na queima das calorias e na perda de peso. Até aí tudo bem. Porém, fecha-se a frase com a infeliz conclusão, equivocada e por demais perniciosa: “e abre caminho para a ginástica em gotas”.
Embora ciente de que o objetivo principal, mesmo que inadequado, seja chamar a atenção do potencial leitor e vender a revista, reduzir os benefícios da atividade física à perda de calorias e ao emagrecimento, negligenciando a sua importância em outros aspectos da saúde, como na redução do risco cardiovascular e na saúde mental, apenas para citar dois exemplos, é nefasto.
Mesmo que a reportagem desfaça essa primeira impressão, e acredito que o faça, dada a competência de seus jornalistas, para quem passa pela banca de jornal e recebe o imprint semântico dessa capa, o mal está feito. No afã de vender a revista, os senhores estão fazendo apologia à preguiça, e sendo profundamente irresponsáveis quanto à educação em saúde do cidadão. Estão vendendo doença.”
Anúncios

Os homens e os médicos

14 ago

Para explicar todos os equívocos da matéria “Os sete médicos essenciais ao homem com mais de 50 anos” (http://minhavida.uol.com.br/saude/galerias/15478-os-sete-medicos-essenciais-ao-homem-com-mais-de-50-anos) demandaria talvez um livro. Enfim, em suma a matéria consegue de forma tortuosa demonstrar porque não se pode praticar saúde e prevenção pensando em doenças e em especialistas focais. Na verdade esqueceu de muitos médicos como ortopedistas, já que há um quadro endêmico de acidentes de carros e motos. Cada pessoa, dependendo da história pessoal e familiar, dos hábitos de vida e de fatores de risco deve traçar uma estratégia preventiva própria junto ao seu médico de família ou clinico geral. O objetivo da medicina (ou mesmo da urologia) não é fazer a pessoa morrer aos 52 de infarto com a próstata intacta. Ou seja, são conclusões praticamente empíricas e a sociedade começa a se dar conta através de constatações absurdas como a de que para praticar prevenção é necessário 7 médicos que pediriam exames repetidos e sugeririam, provavelmente, medicamentos e condutas conflitantes ou totalmente descoordenadas.