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Hepatites

11 ago

Por Gustavo Gusso

O medico Drauzio Varella falou sobre Hepatites em uma série para o Fantástico (http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1667650-15605,00.html) Na série dá a impressão que é uma epidemia sem controle e que todos devem fazer os testes. Os estudos de prevalência do problema são muito variados. O jornalista-médico não especifica a origem dos números mas se forem feitos a partir de ambulatorios especializados em hepatites podem se apresentar enviesados.

Na literatura não há consenso de quem deve fazer os testes. O US Preventive Services Task Force (http://www.uspreventiveservicestaskforce.org/3rduspstf/hepcscr/hepcrs.htm) sugere que não há estudos que demonstrem  que o rastreamento de hepatite C na população geral diminui incidência de cirrose, cãncer hepatocelular ou mortalidade. Mesmo sem estudos conclusivos o órgão diz que quem fez transfusão ou diálise antes da década de 90, teve comportamento promíscuo, usou drogas ilegais ou injetáveis pode se beneficiar do exame de rastreamento para hepatite C.

Quanto a hepatite B a recomendação é de fato rastreamento em gestantes através de HBsAg (http://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/uspshepb.htm). Ou seja, descobrir enquanto está gravida é correto e não houve erro ou atraso caso a mulher nunca tenha tido sintomas.

Ou seja, é um campo incerto e apesar dos números apresentados pelo Drauzio Varella  não há motivo nenhum para pãnico nem estudo que comprove que toda população deve ser testada.  Todo teste ou exame tem riscos e beneficios e é necessário mais estudos para dizer o que deve ser feito na população saudável em relação à detecção de hepatite C. O que se sabe é que droga injetável ainda é um importante veículo de transmissão e o usuário deve ser tratado de várias formas, inclusive com políticas de redução de danos.

A população que tem hábitos minimamente saudáveis não precisa ficar alarmada.