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Victoza (liraglutida) e Veja

21 set

Em setembro de 2011 (sempre setembro) a revista Veja anunciou na sua capa um medicamento “milagroso” para perder peso. Confesso que não postei nada na época aqui neste blog porque não sabia por onde começar, tamanha falta de sensatez. Hoje com a poeira baixada e estimulado por um post do blog Brontossauro em Meu Jardim (http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2011/09/a-veja-e-os-perigos-do-victoza/) sistematizo aqui algumas informações coletadas por Carlos Hotta.

1- Efeitos colaterais do Victoza: 7–40% dos pacientes tiveram náusea, 2–17% tiveram vômitos e 4–18,7% tiveram diarréia.

2 –Há boas razões para se achar que a liraglutida pode causar câncer. ratos e camundongos injetados com liraglutida tiveram um aumento em tumores de tireóide, muitos deles malignos. A empresa que fabrica o medicamento só conseguiu aprová-lo junto à Food and Drug Association (FDA) após se comprometer a monitorar por aumentos na frequência de câncer an tireóide em humanos nos próximos 15 anos. Além disso eles iniciaram um estudo de 5 anos para estudar a fundo os possíveis efeitos da droga na tireóide.

3- Na caixa do Victoza está escrito em uma faixa preta: “Por ser incerta a relevância para humanos das descobertas sobre tumores das céluals-C na tioreóide de roedores, prescreva Victoza somente para pacientes cujos benefícios potenciais sejam considerados maiores que o risco potencial”.

4- Victoza pode aumentar o risco de pancreatite, uma doença potencialmente grave.

5- Há o potencial da incidência de reações alérgicas ao Victoza por ser um peptídeo

6- O uso da liraglutida para perder peso ainda não foi aprovado pela ANVISA!

Mesmo com todos os indícios do medicamento ter mais risco que benefício, ao menos no tratamento da obesidade, na época da reportagem houve lista de espera nas farmácias para aquisição.

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“Ginástica em gotas” na capa da Veja

19 ago

Sobre a capa da Veja desta semana o médico Leonardo Graever informa que enviou a mensagem abaixo a revista. De fato ginástica em gotas não existe e é uma metáfora que não ajuda os obesosImage. Hormônios fornecidos como medicamentos para emagrecer têm mais riscos que benefícios até o momento e não é recomendado.  Nada substitui alimentação saudável e atividade física.

“Queridos Editores,
Foi com profunda tristeza e revolta que li hoje a capa da nova edição da revista, fazendo alusão a um hormônio, chamado Irisina. Sou médico, não conheço o tal hormônio e de maneira nenhuma questiono o teor científico da reportagem. No entanto, sem ao menos abrir a revista, percebo o desserviço à população, estampado na capa.
Nesta, ressalta-se a propriedade do hormônio em auxiliar na queima das calorias e na perda de peso. Até aí tudo bem. Porém, fecha-se a frase com a infeliz conclusão, equivocada e por demais perniciosa: “e abre caminho para a ginástica em gotas”.
Embora ciente de que o objetivo principal, mesmo que inadequado, seja chamar a atenção do potencial leitor e vender a revista, reduzir os benefícios da atividade física à perda de calorias e ao emagrecimento, negligenciando a sua importância em outros aspectos da saúde, como na redução do risco cardiovascular e na saúde mental, apenas para citar dois exemplos, é nefasto.
Mesmo que a reportagem desfaça essa primeira impressão, e acredito que o faça, dada a competência de seus jornalistas, para quem passa pela banca de jornal e recebe o imprint semântico dessa capa, o mal está feito. No afã de vender a revista, os senhores estão fazendo apologia à preguiça, e sendo profundamente irresponsáveis quanto à educação em saúde do cidadão. Estão vendendo doença.”